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Diário de uma Terapeuta #1

Relato do Paciente: 

“Minha mãe queria me dar sapatilhas de Ballet, mas eu queria uma chuteira.”

Me preocupa muito, enquanto terapeuta, algumas expectativas que alguns pais criam em relação aos seus filhos. Expectativas essas que contribuem para o desenvolvimento de seres humanos “travados”, “cristalizados”, empobrecidos de iniciativa, espontaneidade e criatividade.

Inúmeras são as falas como essa citada acima (recorte de uma sessão). Pais que escolhem as roupas de seus filhos, (“menino veste azul e menina veste rosa”), que escolhem o esporte que esse filho vai praticar (futebol, ballet ou natação) ou o brinquedo que ele vai brincar (boneca ou bola). Pais que escolhem a graduação de seus filhos, pelo simples fato de que “são eles que vão pagar”.

E essas escolhas familiares, em muitos momentos, são baseadas num julgamento preconceituoso relacionado a aquilo que “acham” que cabe ao gênero masculino ou feminino.

E aqui, não quero transmitir uma posição extremista, pois não adoto esse tipo de postura, principalmente no meu papel profissional, e também, porque podemos considerar que dependendo da fase do desenvolvimento infantil e/ou adolescente, esse ser humano a qual faço referências, não tem autonomia para decidir algumas coisas e precisa sim, de um direcionamento mais pontual de seus pais ou de outras figuras de referência.

O que me incomoda e a minha provocação, está relacionada a modelos de “pais” que fazem de seus filhos “meros fantoches” em prol a suas próprias expectativas frustradas, dos próprios projetos de vida não concretizados, ou até mesmo dos seus próprios valores morais e preconceitos.

E independente da posição política, social e econômica, pais precisam de uma atenção e de um respeito à autonomia e capacidade de escolha de seus filhos.

 

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