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Diário de uma Terapeuta #2

Relato da Paciente:

“Tá difícil achar um cara que faça direito”

Acho sensacional esses meus pacientes que falam abertamente o que pensam, (visto o setting terapêutico ser um espaço de travas e resistências).

Pois bem,
quando ouvi essa frase “Tá difícil achar um cara que faça direito”, não sabia se ria ou se chorava, porque não é a primeira vez que ouço isso, tanto de mulheres como de homens. E acabo que fazendo uma análise de como a vida afetiva-sexual está diferente nos dias atuais. E como o primeiro encontro está repleto de expectativas frustradas.

Há anos atrás, as pessoas saiam, passeavam, dançavam, bebiam e consequência disso tudo, aconteciam os encontros. Encontros pós “paquera” (acho que hoje nem se usa mais esse termo), encontros pós olhares, encontros pós ligações do dia seguinte..

Atualmente, na era do Tinder e demais apps de relacionamento, as pessoas passaram a fazer parte de um “catálogo”, expondo fotos e suas melhores características, e podendo escolher nesse catálogo aquilo que lhe é interessante de um possível “crush”.

Mas dessa forma, a escolha de alguém para um “date”, acaba que ficando muito fria e sem critérios claros.

E é nesse contexto que ocorre o encontro sexual e obviamente que esse encontro pode estar fadado ao fracasso, ao sexo muitas vezes sem orgasmo, com perda de ereção ou com outras características que fazem as pessoas se frustrarem e julgarem esse primeiro encontro como ruim.

Mas as pessoas não pensam e muitas vezes não sabem, que o sexo é um momento de extrema intimidade, e que a intimidade de um casal é construída ao longo da relação. As pessoas, tem gostos, preferências, desejos, fantasias, que nem sempre são ditas num primeiro encontro.

Sem contar que muitas vezes as pessoas vão para uma relação sexual com um repertório de inseguranças e auto cobrança, não se permitindo decepcionar.

Todo esse contexto, gera uma grande ansiedade, o que dificulta o casal a atingir a satisfação sexual e a expectativa criada.

Mas enfim, voltando na fala acima, o que me faz pensar também, é no imediatismo das pessoas e das relações.
Os casais precisam compreender que a sexualidade é construída com o tempo e dificilmente alguém vai dar um “show de sexo” num primeiro encontro, até porque essa questão não depende do indivíduo e sim da parceria e da sintonia do casal, que é construída através da intimidade, comunicação, troca e outras “coisitas” mais.

Por isso, importante refletir, do porque será que está “difícil encontrar um cara que faça direito”.

Qual “meu” grau de exigência, expectativa, ansiedade e demais questões que me “impedem” de CONSTRUIR uma relação de verdade.

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