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Infidelidade: Quem nunca?

Um dos grandes conflitos de ordem relacional, seja no namoro ou no casamento, diz respeito a questão da infidelidade. Naturalmente, nascemos e crescemos numa sociedade monogâmica, e o contrato das relações, na maioria das vezes, é de exclusividade.

Muito se tem discutido sobre outras possibilidades de relação. Alguns casais fazem a opção pelo chamado relacionamento aberto, onde o “contrato” não contempla exclusividade. Outros casais, “escolhem” o chamado Poliamor, que envolve a possibilidade de amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo.

Toda essa realidade envolve “tempos modernos”?

Para alguns casais, sim. Para outros, loucura e até mesmo promiscuidade.

Além de “tempos modernos”, seria essa uma forma que os casais encontraram de manter uma relação afetiva estável, após a fase da paixão, podendo experimentar e vivenciar uma variedade sexual?

Esses são alguns questionamentos que penso ser pertinente, referente a essas novas e diferentes formas de amar e se relacionar.

Mas voltando a grande questão da infidelidade, algumas reflexões são necessárias:

Quando estabelecemos um contrato relacional monogâmico, e quebramos esse contrato “traindo” o(a) parceiro(a), consideramos infidelidade? E quando essa relação extraconjugal é consentida, não consideramos infidelidade? E se a “tal traição” durou anos, caracterizando um “caso” extraconjugal, como isso é visto e sentido? Será o sentimento diferente, quando a traição ocorreu num único episódio?

Certa vez, recebi em meu consultório, um paciente extremamente angustiado, com o seguinte discurso: – “Eu saí com meus amigos, bebemos todas e ao final da noite, transei com uma garota. Minha namorada descobriu e quer romper a relação. Mas não rolou sentimento, e foi uma única vez. Envolvimento zero. Não aceito terminar esse namoro”.

Para esse meu paciente, e para muitas pessoas, não houve uma infidelidade, pois teve um encontro casual.

Na verdade, não estou aqui para chegar a uma definição do que caracteriza ou não a infidelidade. Não estou aqui para contribuir aos casais, de forma que levem a um rompimento de relação, quando isso acontecer (se acontecer).

A minha proposta é apenas uma reflexão sobre como nos relacionamos, o que oferecemos ao outro, o que cobramos em troca, e o que disso tudo consideramos fidelidade.

Será que ser fiel ao outro é simplesmente não manter relações sexuais com terceiros? Ser fiel é estabelecer uma relação afetiva sexual e não fingir orgasmos? Ser fiel é não fazer do outro um objeto de posse estabelecendo uma relação de controle? E quando a relação extraconjugal faz parte de um padrão de comportamento em que o indivíduo repetiu esse padrão em todas as relações, consideramos isso de que forma? E quando a infidelidade surge, como um ato de coragem, e uma resposta nova a uma relação abusiva de anos? Consideramos que o outro mereceu ser traído?

A grande questão é que cada indivíduo sabe os “sacrifícios” e as “renúncias” que envolvem estabelecer uma relação afetiva.
Numa história de traição, cada indivíduo vai sentir, interpretar, julgar, e sofrer, de forma individual e particular, conforme os seus valores, princípios e necessidades.

Numa história de traição, cada indivíduo vai justificar seus atos, conforme as suas próprias verdades.

Mas daí, uma última consideração, que talvez seja a mais questionada:

Por que trair? Por que e para que romper, transgredir, mentir? Por falta de amor? Por vingança? Por não se sentir amado? Por se sentir “abusado”? Por fraqueza? Por curiosidade? Ou por uma simples escolha consciente?

Independente dos “porquês” e das considerações aqui realizadas sobre o “trair”, quem nunca? Que “atire a primeira pedra”.

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